Como a nicotina afeta o corpo humano

A nicotina é uma substância que afeta a todos os fumantes, muito embora a dependência seja menos evidente no início.

A pessoa que fuma, ainda que considere que possa deixar de fumar a qualquer momento por vontade própria, terá mais dificuldades do que possa imaginar, principalmente em decorrência da dependência que o corpo e o cérebro desenvolvem.

Tornar-se dependente da nicotina vai gerar sintomas de abstinência, quando a substância não se fizer presente no organismo, trazendo sintomas desagradáveis, tanto física quanto psicologicamente.

Os sintomas de dependência têm início quando a nicotina não está mais disponível no organismo para se ligar aos receptores cerebrais, que exigem um aporte frequente da substância. Esses receptores desencadeiam a vontade de fumar, criando condições orgânicas e psíquicas que levam à irritação, à ansiedade e ao nervosismo.

Os tratamentos disponíveis para deixar o tabagismo procuram aliviar os sintomas de abstinência da nicotina, que podem ser bastante difíceis de serem superados apenas pela vontade do fumante.

Para conseguir vencer os sintomas de abstinência, o fumante deve procurar o melhor tratamento, através da consulta médica, principalmente porque a síndrome de abstinência de nicotina pode ocorrer em várias fases do tratamento. Muitas pessoas podem sofrer recaídas, mesmo após alguns meses após o início do tratamento.

O tabagismo é, atualmente, a causa de morte mais evitável no mundo ocidental. A fumaça do tabaco, além de prejudicar o próprio fumante, também apresenta riscos para pessoas de sua convivência. Uma pessoa que convive com um fumante torna-se um fumante passivo, podendo apresentar diversas das doenças que o fumante pode ter, como câncer do pulmão e problemas respiratórios.

Entenda mais sobre a nicotina, os seus efeitos físicos e psicológicos e os tratamentos disponíveis.

O que é a nicotina?

A nicotina é um alcaloide solúvel em água. A substância é conhecida desde 1828, quando foi isolada pelo médico alemão Wilhelm Possel e pelo químico Karl Ludwig Reimann. O uso do tabaco no mundo ocidental, no entanto, teve início no século XVI, quando foi levado da América para a Europa, tornando-se um hábito, primeiro entre os nobres e, depois, entre os plebeus.

Altamente viciante, a nicotina apresenta propriedades lipofílicas, podendo migrar facilmente para as membranas celulares e superar a barreira hematoencefálica, chegando aos receptores cerebrais e oferecendo sensação de calma e prazer. Isso faz com que o cérebro tenha necessidade da substância para manter a tranquilidade aparente.

A nicotina não está presente apenas nas plantas de tabaco, podendo ser também encontrada em outras plantas, como o morango, embora não na mesma quantidade. Na agricultura, a substância pode ser usada como inseticida para a defesa contra pragas que atacam a lavoura, embora os seu uso tenha sido proibido em razão da toxicidade.

No organismo humano, a nicotina é quebrada pelo fígado. Essa quebra resulta no produto de degradação de outra substância, a cotinina, que pode ter sua presença determinada através de exames de sangue.

A excreção da nicotina convertida acontece através da bile, da saliva, da transpiração e da urina, já a nicotina inalterada também pode ser excretada pelos rins.

Os receptores de nicotina no organismo humano

No corpo humano, os receptores nicotínicos de acetilcolina podem ser encontrados nos músculos e nas células nervosas. Esses receptores podem ser ativados pelos mensageiros de acetilcolina e nicotínico, além de outras substâncias semelhantes à nicotina. Depois de sua ativação, os receptores tornam-se permeáveis aos íons da nicotina, ativando também outras células.

Os receptores nicotínicos de acetilcolina são encontrados na placa final neuromuscular, onde ocorre a transmissão do estímulo dos nervos para as fibras musculares. Esses receptores foram bastante pesquisados devido a estudos sobre a miastenia, que se caracteriza pela destruição autoimune desses receptores.

Além da miastenia, os receptores nicotínicos de acetilcolina também chamam a atenção por sua relação com a demência provocada pelo mal de Alzheimer e TDAH.

Conheça estrutura química da nicotina:

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Nicotina em epigenética

A epigenética, ramo da ciência que estuda as modificações de cromatina e DNA, tem sido um campo crescente há várias décadas, procurando entender a questão por que alguns genes se modificam.

Entre as causas descobertas, estão a metilação e a acetilação do DNA, que possibilitam que os genes possam ser ligados ou desligados. Com relação à nicotina, a grande questão é se pessoas mais jovens estão experimentando mudanças epigenéticas pela ingestão de nicotina, fazendo com que os fumantes mais jovens se tornem também mais suscetíveis a outras drogas ilícitas, como a cocaína, por exemplo.

A ciência está estudando também se o sistema de recompensa do cérebro, através da substância dopamina, é mais suscetível à nicotina durante a adolescência e a juventude, o que pode provocar uma dependência mais rápida.

A nicotina, além disso, pode aumentar a impulsividade em pessoas mais jovens, reduzindo sua capacidade de atenção.

Nicotina como veneno para seres humanos

Um fator interessante é que a nicotina não é tóxica apenas para insetos. Quando administrada diretamente a um indivíduo, a nicotina apresenta irritação e sensação de queimação na boca e na garganta.

Através da aplicação direta de nicotina, a salivação aumenta, o indivíduo sente náuseas, vômitos, dores abdominais e pode chegar a ter tonturas e diarreia. Nos casos mais graves de intoxicação, a pessoa pode apresentar formigamento muscular com tremores, descoloração da pele e das mucosas, distúrbios de consciência, que podem levar ao colapso e ao coma, além de paralisia dos músculos respiratórios, que pode ser letal.

Quantidades de 30 mg a 60 mg de nicotina aplicadas de uma vez em uma pessoa adulta pode causar a morte. Em crianças, a quantidade letal é de 10 mg de nicotina. Ou seja, isso pode significar que a ingestão da nicotina de um único cigarro pode ser fatal para uma criança.

Esses dados, contudo, são bastantes questionáveis, sendo resultados de experiências que não foram comprovadas por outros pesquisadores.

Efeitos farmacológicos da nicotina

A nicotina apresenta seus efeitos principalmente através do sistema nervoso central e dos sistemas nervosos simpático e parassimpático. Além dos efeitos psicológicos e físicos, outros estão sendo investigados, inclusive com vistas a entender se a nicotina é uma substância cancerígena ou não.

Discute-se também na medicina o fato de a nicotina ser responsável por doenças cardiovasculares, respiratórias e doenças do aparelho digestivo, ou se são as outras substâncias presentes no tabaco que podem causar os problemas decorrentes do tabagismo.

A nicotina sempre é estudada em conjunto com outras substâncias presentes no tabaco, já que o tabagismo é um vício bastante nocivo, que pode, inclusive, danificar o material genético, formando radicais de oxigênio reativos que levam à destruição das células nervosas.

A medicina ainda não possui evidências de que a nicotina seja uma substância que possa provocar o câncer apenas por sua presença, sem a adição das toxinas presentes no tabaco. No tratamento contra o câncer, contudo, presume-se que ela interfira não apenas no processo de cicatrização de feridas, mas também provoque problemas na resposta à quimioterapia e à radioterapia.

Efeitos físicos do consumo de nicotina

A nicotina tem ação direta no sistema nervoso autônomo do organismo, ativando o denominado sistema nervoso simpático, responsável pelas reações instintivas de luta ou fuga. Sua presença acelera a frequência cardíaca e aumenta a quantidade de sangue bombeada a cada batida cardíaca

Outros dois efeitos da nicotina também se apresentam na aceleração dos batimentos cardíacos, com o aumento de liberação de adrenalina e de hormônios antidiuréticos, que inibem a produção de urina.

A adrenalina, por sua vez, apresenta outros efeitos, como o aumento da pressão arterial, através do estreitamento dos vasos sanguíneos, e a aceleração da síntese gordura, promovendo a perda de peso. Isso se dá devido ao aumento do consumo de energia provocado pela própria adrenalina.

No sistema digestivo, a nicotina promove maior atividade, que pode levar a pessoa a ter diarreia. Além disso, outros efeitos possíveis são a náusea e o vômito, por excitação da área posterior do tronco encefálico.

É interessante notar que a primeira tragada em um cigarro é que leva à náusea e ao vômito, considerando-se que o cigarro não seja nada palatável, podendo o seu sabor agravar os sintomas de náusea.

Contudo, ao longo do tempo, o cigarro deixa de gerar o efeito de excitação sobre o fumante, que diminui a sua percepção quanto ao sabor e ao cheiro do tabaco.

A nicotina também influencia o sangue, promovendo a sua coagulação e aumentando o risco de trombose. A sua influência também se estende aos receptores de pressão, dor e temperatura, o que vai resultar em maior sensibilidade à dor. A temperatura da pele é reduzida com o consumo de nicotina, já que os vasos sanguíneos da pele são estreitados.

A nicotina pode aumentar o risco de diabetes?

Em experimentos com cobaias de laboratório, a administração de nicotina apresentou como resultado redução nas células beta do pâncreas, células essas que são responsáveis pela produção de insulina, hormônio indispensável para o metabolismo do açúcar no sangue. A deficiência desse hormônio no organismo é indicativa do diabetes mellitus, especialmente do tipo 1.

O diabetes tipo 1 começa a se apresentar assim que cerca de 80% das células beta são destruídas por reação autoimune ou via idiopática, ou seja, por causas não conhecidas. Se o efeito da nicotina também se apresentar nas pessoas, a substância pode trazer o risco de desenvolvimento de diabetes.

Conexões entre o câncer e a nicotina

Com o decorrer do tempo e o uso do cigarro, a fumaça afeta a cavidade oral, os canais respiratórios e digestivos, os pulmões, o trato digestivo e o trato urinário, gerando maior possibilidade de desenvolvimento de câncer.

Veja abaixo os efeitos de fumar provocados nos pulmões:

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Além disso, para os fumantes, existe um risco maior de câncer no fígado, no pâncreas e na mama. As pesquisas não demonstraram que a nicotina tenha qualquer efeito sobre o câncer, embora possa agir como um promotor, ou seja, uma substância que promove o crescimento de uma célula já alterada. Caso o promotor seja removido, o crescimento e transformação da célula normal em célula cancerosa não são mais incentivado, embora permaneça uma mutação genética que pode causar câncer, após a eliminação da substância.

Efeitos psicológicos da nicotina

A nicotina gera alguns efeitos psicológicos, através dos mensageiros cerebrais. De uma forma geral, observa-se um aumento na atividade das regiões cerebrais individuais, principalmente, no córtex pré-frontal, na região da testa, e no sistema visual.

O cérebro aumenta a liberação de dopamina, provocando uma sensação de bem-estar e ativando o sistema de recompensa cerebral, um processo que está intimamente ligado ao desenvolvimento da dependência de nicotina. A dopamina, por sua vez, suprime a sensação de fome, reduzindo o apetite do fumante.

Saiba mais como funciona a dopamina no cérebro:

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Outra substância que atenua o apetite é a norepinefrina, substância também liberada com o uso da nicotina, deixando o fumante em estado de alerta, suprimindo a sensação de sono. O mensageiro de acetilcolina não apenas elimina o sono, mas também o desempenho cerebral, reduzindo a possibilidade de aprendizagem e a capacidade de memória.

A serotonina, também liberada com o uso de nicotina, é outra substância que inibe o apetite e regula o humor. Dependendo da situação inicial, o fumante se sente mais relaxado, reduzindo os sintomas do estresse.

Em razão desse relaxamento e da tranquilidade, os cientistas pressupõem que, quando uma pessoa deixa de fumar, sente os sintomas da crise de abstinência, comprovando que a nicotina pode tornar a pessoa dependente tanto física quanto mentalmente.

O surgimento da dependência de nicotina

O desenvolvimento da dependência de nicotina é provocado através do sistema de recompensa cerebral. O sistema de recompensa oferecido pelo cérebro é, comprovadamente, uma ferramenta que ajudou na evolução da espécie humana, já que recompensou o homem através dos tempos pela atividade sexual e pela ingestão de alimentos, trazendo maior satisfação.

Tudo o que contribui para a evolução da espécie pode ser considerado bom para o ser humano, contudo, o sistema de recompensa também pode ser responsável por alguns vícios que se tornam prejudiciais, como a dependência de drogas, de álcool e de nicotina.

O sistema de recompensa apresenta um efeito de euforia no cérebro através da distribuição de dopamina. Semelhante a qualquer outro tipo de dependência, o ser humano reage ao efeito da nicotina, ligando o tabagismo a uma sensação de bem-estar. Isso faz com que, depois de certo tempo, o fumante precise novamente acender um cigarro para sentir os mesmos efeitos oferecidos pelo sistema de recompensa.

O maior problema, contudo, é que os receptores vão se tornando cada vez menos sensíveis com o tempo e com o consumo de nicotina. Assim, a cada novo cigarro, é preciso maior quantidade de nicotina para oferecer os mesmos sintomas e evitar as consequências da síndrome de abstinência.

O desejo pela nicotina e a sua supressão podem trazer graves sintomas físicos e mentais, como frustração, ansiedade, falta de concentração, agressividade, que podem durar até um mês ou mais, dependendo da dependência do fumante.

Alterações no cérebro provocadas pela nicotina

Um dos fatos observados é que o cérebro apresenta mudanças depois de experimentar a nicotina. A síntese de serotonina no hipocampo, conforme se verificou em pesquisas com animais, foi reduzida após a ingestão de uma única dose de nicotina.

O hipocampo é parte do sistema límbico, que participa da formação da memória. Nos animais testados, os que foram injetados com nicotina apresentaram mais receptores em toda a área de formação do hipocampo. Dessa forma, a serotonina precisou ser usada em sua totalidade.

Contudo, a maior densidade de receptores trouxe, em consequência, uma redução na produção de serotonina e, para compensar essa situação, observa-se que o fumante volta a usar o cigarro, podendo ter recaída mesmo depois de anos depois de ter abandonado o vício.

Dependência de nicotina e distúrbios psiquiátricos

Observa-se também que pessoas com problemas psicológicos costumam fumar com mais frequência do que as pessoas mentalmente saudáveis. Em casos de pacientes com esquizofrenia ou em dependentes de drogas ilícitas, o número de fumantes é até três vezes maior do que entre pessoas que não apresentem qualquer tipo de problema mental. Uma das razões para essa situação é que fumar apresenta um efeito antidepressivo, e o consumo de nicotina se apresenta como uma automedicação.

A produção de serotonina oferece um papel importante na depressão, assim como na ansiedade e nos distúrbios mentais. Dessa forma, a nicotina alivia os efeitos de qualquer problema psicológico.

Essa situação também é bastante consistente ao se analisar as taxas de recaída por parte de doentes mentais fumantes em comparação com pessoas saudáveis. Pelo menos três quartos de fumantes que haviam apresentado anteriormente depressões mais graves, apresentaram sintomas de abstinência depressivos, enquanto que sintomas semelhantes só foram constatados em 30% das pessoas saudáveis.

O consumo de nicotina em pessoas esquizofrênicas influencia positivamente os sintomas negativos, como redução da movimentação, isolacionismo e perda da autoestima. Ao mesmo tempo, as limitações de desempenho mental, que podem surgir do tratamento da esquizofrenia com antipsicóticos, podem ser melhoradas com a nicotina.

Nicotina e mal de Parkinson

O mal de Parkinson é uma doença provocada pela desordem do sistema de dopamina, provocando os sintomas neurodegenerativos. Pacientes com mal de Parkinson se caracterizam pela rigidez muscular, pela falta de movimentos, principalmente pela mímica reduzida e pelo andar em pequenos passos, além do tremor em repouso e da degeneração muscular.

Pesquisadores descobriram que os pacientes com mal de Parkinson tiveram um alívio de curto prazo com o uso de nicotina, comprovando que a nicotina parece melhorar a distribuição de dopamina. Contudo, é preciso também observar que, no decurso e progressão da doença, é preciso liberar cada vez mais dopamina, o que faz com que os efeitos da nicotina sejam reduzidos.

A dependência de nicotina em cada fumante

A nicotina, quando o fumante acende um cigarro, apresenta efeitos bastante rápidos, penetrando diretamente no cérebro. O potencial de dependência da nicotina, dessa forma, pode ser equiparado ao da cocaína e da heroína.

Estudos demonstraram, no entanto, que, com a cessação do tabagismo, a nicotina não permanece na memória latente do cérebro, o que leva a constatar que a nicotina pode ser mais um hábito do que um vício propriamente dito.

Através dessa conclusão, a terapia de reposição de nicotina se mostra como um tratamento bastante efetivo para a redução dos sintomas de abstinência e para erradicação do vício do fumo, sendo uma medida eficiente para pessoas que apresentem dependência de nicotina. Enquanto isso, para quem não apresenta dependência mental e física, mas que tem um hábito de usar nicotina, as terapias comportamentais podem se mostrar mais eficazes.

Tratamentos da dependência da nicotina

No caso de tratamento de um dependente de nicotina, os tratamentos são úteis para lidar com sintomas de abstinência. Como apresentado anteriormente, esses sintomas, normalmente, estão ligados à situação mental, apresentando-se como inquietação, problemas de concentração, rejeição, irritabilidade e frustração.

No aspecto físico, a pessoa que deixa de fumar sente um aumento de apetite e pode ganhar peso, além de ver sensível melhora no sistema respiratório e na energia disponível. Dessa forma, para garantir melhores condições, os medicamentos podem ser utilizados para eliminar a dependência de nicotina, sempre com acompanhamento médico para que a situação não seja agravada.

Medicamentos para o alívio dos sintomas de abstinência de nicotina

Um dos medicamentos utilizados para aliviar os sintomas de abstinência da nicotina é a Vareniclina, uma substância que também pode se conectar aos receptores nicotínicos. A Vareniclina imita a ação da nicotina, bloqueando seus efeitos.

Vareniclina é o princípio ativo presente na composição do Champix. Quando um fumante toma Champix e fuma ao mesmo tempo, o efeito de recompensa da nicotina é amortecido no sistema nervoso central e não apresenta qualquer resultado de bem-estar ou tranquilidade.

Contudo, é preciso atenção ao uso de Vareniclina, que pode provocar efeitos colaterais desagradáveis, como náuseas, dores de cabeça, distúrbios do sono e dispepsia no estômago. A Vareniclina, além disso, não deve ser utilizada por pessoas que tenham doenças cardíacas, já que seu uso está associado ao risco de ataque cardíaco ou de arritmia cardíaca, em razão de possíveis efeitos no sistema cardiovascular.

A vareniclina também é proibida para pacientes psiquiátricos, já que sua presença no cérebro pode provocar tentativas de suicídio.

Cigarros eletrônicos são mais seguros do que os cigarros convencionais?

Atualmente, os cigarros eletrônicos estão sendo discutidos como alternativa para a quem quer parar de fumar, embora existam diversas controvérsias. É evidente, no entanto, que o vapor dos cigarros eletrônicos possui menos substâncias cancerígenas e tóxicas do que a fumaça do cigarro.

Dessa forma, os cigarros eletrônicos podem ser considerados menos prejudiciais do que o tabagismo convencional. Contudo, a grande questão apresentada é saber se a nicotina é também um risco para a saúde, independentemente do seu potencial de dependência.

A maior parte dos pesquisadores médicos é da opinião de que a nicotina não oferece problemas como arteriosclerose ou doenças cardiovasculares. Contudo, também existem testes laboratoriais em que o risco dessas doenças pode ser maior com o uso de nicotina.

Nos cigarros eletrônicos, a glicerina está contida nos líquidos como um nebulizador. Além disso, é uma substância também presente em muitos alimentos e até no corpo humano, em forma de gorduras naturais, sendo uma intermediária em diversos processos metabólicos. Na medicina, a glicerina é usada para a terapia de edema cerebral ou como laxante e sua ingestão oral é considerada inofensiva.

Contudo, houve relatos de pacientes que apresentaram tosse constante e febre com o uso de cigarros eletrônicos, sendo diagnosticados com inflamação pulmonar provocada pela glicerina. Esses não tiveram melhora mesmo com o uso de antibióticos.

Depois de parar de usar cigarros eletrônicos, no entanto, esses pacientes não apresentaram mais os sintomas de inflamação pulmonar, o que leva à conclusão de que os cigarros eletrônicos podem não ser a melhor alternativa para evitar os sintomas de abstinência de nicotina.

Outra constatação em cigarros eletrônicos foi a presença de substâncias cancerígenas. Um estudo da FDA norte-americana, por exemplo, demonstrou que os cigarros eletrônicos possuem determinada quantidade de nitrosaminas que, de fato, são substâncias cancerígenas.

Contudo, ao comparar as quantidades, a presença de nitrosaminas em um cigarro eletrônico é completamente inofensiva, não trazendo qualquer risco para a saúde. O mesmo se aplica à quantidade de outras substâncias, como acetona, isopreno, acetaldeído, formaldeído, ácido acético e butanona.

Os cigarros eletrônicos não são adequados para quem quer deixar de fumar

A presença da nicotina nos cigarros comuns impede que ex-fumantes acendam o primeiro cigarro, da mesma forma que um alcoólatra evita tomar o primeiro gole. O uso de cigarros eletrônicos, por seu lado, imitaria o hábito de fumar, continuando a recompensar o cérebro com nicotina, embora seja uma forma um tanto duvidosa de cessação do tabagismo.

Mesmo com alguns ex-fumantes relatando que os cigarros eletrônicos os ajudaram a parar de fumar, o benefício de deixar de fumar definitivamente é bem maior do que o uso de cigarros eletrônicos.

A terapia de reposição de nicotina através de gomas de mascar ou adesivos oferecem o mesmo benefício, reduzindo a exigência de fumar e os possíveis sintomas de abstinência. Além disso, também elimina o ritual de acender um cigarro, impedindo que o ex-fumante continue com esse hábito. A terapia de reposição de nicotina pode ser feita com precisão e pode, gradualmente, reduzir os níveis de nicotina no cérebro, eliminando definitivamente os sintomas de dependência.

Fontes: