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A obesidade em 2017: dados, estatísticas e tendências

A obesidade vem se tornando um problema tão alarmante que novas políticas de comunicação vêm sendo aplicadas com o fim de reduzir os índices de obesidade no mundo todo. Essas políticas incluem:

  • sistemas de rotulagem em alimentos;
  • campanhas nos meios comunicação de massa para conscientização pública;
  • uso de redes sociais;
  • além de intervenções nas escolas e em ambientes de atenção primária.

Alguns países da União Europeia começaram a utilizar políticas fiscais para aumentar os preços de produtos considerados potencialmente insalubres, incentivando uma dieta mais saudável.

Essa situação vem ocorrendo na Bélgica, na Finlândia, na Hungria e na França, e outros países, como o México e o Chile, começaram a adotar os mesmos princípios.

Saiba mais sobre a obesidade, seus dados e estatísticas e tendências.

O que é sobrepeso e obesidade?

Em nível mundial, um grande número de pessoas está incluído em duas classificações: o sobrepeso e a obesidade. Ambas as condições indicam uma situação de excesso de peso.

Quando uma pessoa está com sobrepeso, isso quer dizer que está com um peso acima do que é considerado saudável e normal para sua idade ou compleição física. No entanto, quando está com obesidade, a pessoa está carregando uma quantidade de gordura acima do normal.

Mesmo que uma pessoa com sobrepeso esteja carregando peso em excesso, ela pode não ter acúmulo de gordura. Uma maneira prática de distinguir entre o sobrepeso e a obesidade é fazendo o cálculo do IMC – Índice de Massa Corporal.

O nível de sobrepeso pode variar conforme a altura e o sexo da pessoa. Uma pessoa tem sobrepeso quando seu IMC está entre 25 e 29,9. O cálculo do IMC mede o peso relativo à altura, dividindo-se um valor pelo outro. De acordo com esse cálculo, um adulto com IMC de 30 já é considerado obeso.

A obesidade é o excesso de gordura em comparação com a taxa muscular magra ou ainda um peso pelo menos 30% acima do peso ideal para sua altura. A pessoa, portanto, é considerada obesa quando a quantidade de gordura se transforma em uma desordem crônica, provocada por uma série de fatores.

Causas da obesidade

As principais causas para o sobrepeso e a obesidade são as seguintes:

  • Alimentação em excesso;
  • Vida sedentária;
  • Falta de exercícios físicos;
  • Distúrbios metabólicos ou alimentares;
  • Condições de saúde.

Embora todos esses fatores possam levar uma pessoa à obesidade, a condição também pode ser consequência de mudanças sociais ou de estilo de vida, além de problemas médicos, desequilíbrio hormonal, condições genéticas, entre outras.

Além disso, a obesidade pode ser agravada pelo aumento da ingestão de alimentos, o que se torna também um grande fator de risco para a saúde, como, por exemplo, doenças cardíacas, diabetes e hipertensão.

Uma pessoa com sobrepeso também está propensa a problemas médicos, embora a pessoa obesa esteja mais suscetível ao seu desenvolvimento.

Afora os problemas médicos, as pessoas obesas apresentam também maior risco de problemas sociais e de depressão.

Estatísticas mundiais da obesidade

Atualmente o mundo está composto por mais de um em cada dois adultos e uma em cada seis crianças acima do peso. A epidemia da obesidade vem se expandindo nos últimos anos, embora a um ritmo mais lento do que antes.

Contudo, as projeções indicam um contínuo aumento da obesidade em todos os países estudados. A obesidade é uma situação que persiste e, em alguns países aumenta a cada ano.

Na maior parte dos países onde é feito o acompanhamento de sobrepeso e obesidade, as mulheres apresentam condições mais propícias do que os homens, embora a obesidade masculina venha crescendo mais rapidamente.

Mulheres com menor índice educacional apresentam duas a três vezes mais probabilidades de estar acima do peso do que aquelas que possuem nível superior e isso vem ocorrendo em pelo menos metade dos países estudados.

As diferenças educacionais são menores entre o sexo masculino, embora também apresentem crescimento.

As desigualdades foram percebidas nos estudos e pesquisas realizados na Espanha, Itália, Coréia e Inglaterra entre os anos de 2010 e 2014, tanto para os homens quanto para as mulheres.

Em alguns países, as diferenças foram reduzidas, como, por exemplo, no Canadá para ambos os sexos, e na França e Hungria para o sexo masculino.

Nos países que apresentam uma média maior de pessoas sem nível superior, a obesidade apresenta crescimento. No entanto, nos Estados Unidos, mesmo com maior média educacional, as taxas vêm aumentando mais rapidamente.

Confira abaixo o mapa mundial da obesidade:

mapa-mundial-da-obesidade

Estatísticas da obesidade em adultos

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que existem 1,9 bilhão de adultos acima de 18 anos com sobrepeso. Desses, 650 milhões estão obesos.

No ano de 2015, pelo menos 19,5% dos adultos apresentaram condição de obesidade, embora a taxa tenha variação entre os países estudados.

Na Coréia e no Japão, por exemplo, a taxa de obesidade estava em 6%, enquanto que na Nova Zelândia, no México, na Hungria e nos Estados Unidos, esse índice era de 30%.

Em outros países, o que se constata é que mais de um em cada quatro adultos é considerado obeso, como ocorre na Austrália, no Chile, no Canadá, na África do Sul e no Reino Unido.

As taxas de sobrepeso e obesidade também vem crescendo no México e nos Estados Unidos, apresentando crescimento mais lento na Suíça, por exemplo. Na Itália, o que vem ocorrendo é uma estabilização, embora nada indique que nos próximos anos haja qualquer redução nos índices apresentados.

Estatísticas da obesidade infantil e em adolescentes

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, existem 41 milhões de crianças obesas ou com sobrepesos em idade entre 0 a 5 anos no mundo (dados de 2016). A maior parte dessas crianças encontra-se nos países em desenvolvimento, cuja taxa aumentou em 30% em relação aos países desenvolvidos.

Ainda conforme a OMS, 340 milhões crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos estão obesas ou com sobrepeso.

Através das pesquisas, verificou-se que existem taxas relativamente estáveis de crianças entre 3 e 17 anos na França, entre os anos de 2000 e 2012, embora os níveis tenham aumentado um pouco para crianças de ambos os sexos na Inglaterra desde 2012 e nos Estados Unidos desde 2011.

A proporção de adolescentes com excesso de peso ou com obesidade na faixa dos 15 anos chegou a 10% na Dinamarca e a 31% nos Estados Unidos.

Mesmo com a implantação de políticas de conscientização e de campanhas para a alimentação saudável, o número de adolescentes acima do peso e com obesidade vem aumentando constantemente desde o ano 2000 na maior parte dos países, segundo pesquisas da OMS.

Conheça as consequências da obesidade infantil:

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Consequências da obesidade para a saúde pública

As consequências da obesidade para a saúde pública são tão preocupantes que os governos de diversos países já encaram a situação como epidemia. Para a maior parte deles, já é possível detectar que uma situação de emergência poderá ser considerada nos próximos anos.

Mesmo em países como o Brasil, a situação de aumento de obesidade está em situação de crescimento, como ocorre em países como o Chile e os Estados Unidos, sendo essa uma situação que exige ações de forma integrada entre a sociedade e os governos.

No Brasil, o índice de sobrepeso estava em 43% no ano de 2006 e a obesidade passou de 11% para 17% nos últimos anos. O aumento, de acordo com os especialistas, se apresenta como um fator de risco para o desenvolvimento de diversas doenças, como diabetes, hipertensão e doenças cardíacas.

A obesidade gera impactos diretos na qualidade de vida da população, no aumento de casos de internação e na mortalidade das populações estudadas, o que, em consequência, vai gerar maiores custos para a saúde pública, exigindo maiores cuidados por parte dos hospitais e clínicas de saúde.

Políticas de prevenção e tratamento da obesidade

As políticas de comunicação para reduzir a obesidade vêm sendo aplicadas nos mais diversos países, buscando fazer com que as pessoas façam escolhas alimentares mais saudáveis.

Uma série de novas iniciativas vêm surgindo nos países onde a situação se apresenta mais grave nos últimos anos, incluindo:

  • aumento de impostos e preços sobre alimentos considerados menos saudáveis;
  • maior atenção nas escolas com relação à educação alimentar;
  • reformulação de produtos, com alterações no tamanho das porções;
  • incentivo à prática de atividades físicas.

Com relação às medidas fiscais, particularmente, as políticas de maior tributação vêm sendo aplicadas em países como o Chile, a Finlândia, a Bélgica, a Hungria e o México, com aumento nos impostos sobre produtos menos saudáveis.

Além disso, novas exigências estão sendo feitas com relação à rotulagem dos alimentos, com listas de nutrientes mais detalhadas e informativos sobre alimentação.

A lista de nutrientes em alimentos está se tornando obrigatória na maior parte dos países, através de sistemas que tornem mais fácil o entendimento pelo público, buscando levar as pessoas a fazer melhores escolhas.

Essa nova condição foi adotada em virtude das evidências de que a própria rotulagem pelos fabricantes pode contribuir para que as pessoas façam outras escolhas. Mais do que simplesmente a rotulagem, alguns países exigiram reformulação na produção de alimentos, inserindo ingredientes mais saudáveis, reduzindo a quantidade de sal, açúcar e gordura.

Os cuidados com as condições de obesidade apresentadas nas pesquisas fizeram com que alguns países também estabelecessem campanhas escolares, informando principalmente as crianças com relação aos riscos apresentados pelo excesso de peso.

Ao mesmo tempo, criaram-se novas regras de regulamentação para o marketing, principalmente quando se trata de produtos potencialmente inseguros ou insalubres.

Nos últimos anos, grande parte dos países também vêm utilizando as mídias sociais e as novas tecnologias ou ainda revisando os meios tradicionais de políticas de comunicação, buscando enfrentar o problema da obesidade.

A informações são divulgadas por todos os meios de comunicação, lembrando às pessoas sobre as escolhas mais saudáveis, com a redução de ingestão de produtos mais calóricos.

O sistema de rotulagem nutricional nos alimentos vem se mostrando mais eficiente entre as campanhas, tendo sido considerado um método mais efetivo. Enquanto isso, entre outros, o Canadá lançou uma consulta pública sobre um novo logotipo obrigatório de rotulagem, alertando sobre os perigos de alguns ingredientes, como alto teor de sódio, de açúcares e de gorduras saturadas.

Regulamentação da publicidade

Alguns países investiram em uma série de campanhas de mídia de massa com relação a saúde pública para conscientizar as pessoas sobre os benefícios de uma alimentação mais saudável.

As campanhas veiculadas conseguem alcançar maior audiência e aumentar a conscientização sobre a importância do consumo mais frequente e adequado de frutas e vegetais.

Assim, por exemplo, a Austrália lançou uma campanha denomina “2 + 5”, contribuindo para o aumento de consumo de frutas e vegetais em pelo menos 20% nos últimos dois anos. Outras campanhas também foram implantadas para aumentar a consciência das pessoas, mas é de se observar que elas devem ser sustentadas por tempo mais longo para que possam atingir os objetivos, mudando o comportamento alimentar.

Educação e obesidade

Vários países adotaram medidas educativas para combater a obesidade. Veja abaixo as iniciativas de alguns países:

Holanda

O Centro de Nutrição dos Países Baixos (Holanda) vem buscando, nos últimos anos, também criar várias campanhas de saúde, inclusive online, para encorajar a busca de alimentação mais saudável.

As campanhas são voltadas para a área educacional, fornecendo dicas e receitas para uma boa alimentação, criando um site dedicado, utilizando aplicativos móveis e ferramentas online.

Dessa forma, espera-se que as pessoas possam mudar seu comportamento na alimentação através de novos conceitos, inclusive com pequenos vídeos sugestivos, voltados para todas as faixas de público.

Chile

No Chile, a partir de 2013, o governo lançou uma campanha educacional intitulada “Escolhas para viver saudável”, utilizando uma ferramenta de marketing social e um aplicativo web para que cada pessoa pudesse calcular a ingestão de calorias.

Além disso, o aplicativo apresenta uma agenda para que a pessoa anote eventos na área de saúde, acompanhando o seu desenvolvimento e seu peso.

Estônia

O Instituto Nacional de Desenvolvimento da Saúde da Estônia, da mesma forma, implementou uma campanha online, alertando sobre os riscos do alto consumo de sal e de açúcar. O instituto fornece também um aplicado baseado na internet para que as famílias possam calcular a quantidade dessas substâncias em sua sua dieta.

O software criado também verifica o valor nutricional de cada produto alimentício através de seu nome ou marca.

Suíça

A Suíça utiliza dois canais de rádio para lançar a semana fisicamente ativa, denominada “SRF bewegt”, ou SRF movimento. A campanha teve início em 2015 e vem sendo realizada todos os anos.

As pessoas inscritas devem informar o que fizeram durante a semana de atividade, como, por exemplo, quantos metros correu por dia ao longo da semana, criando uma competição motivadora em todas as regiões.

A iniciativa teve grande aceitação pelo público, com um total de mais de um milhão de quilômetros percorridos por mais de 88 mil pessoas durante o evento.

Inglaterra

Na Inglaterra, a campanha educacional teve como tema Change4Life, começando em 2014 e instruindo as pessoas a reduzir o açúcar, as gorduras saturadas e o sal, fornecendo dicas e receitas através, utilizando um site dedicado e aplicativos para dispositivos móveis.

Além disso, um aplicativo no site, o Be Food Smart, fornece a quantidade de gordura saturada e de sal em produtos embalados, utilizando o código de barras do produto.

A maior parte das iniciativas educacionais com relação à obesidade contam com a colaboração de instituições de saúde e de empresas renomadas, preocupadas com o crescente número de obesos nesses países.

Ainda na Inglaterra, por exemplo, uma iniciativa conjunta entre a União Internacional de Telecomunicações e a World Health tem como objetivo ampliar a tecnologia móvel para fornecer mensagens de saúde pública, inclusive sobre nutrição para pessoas diabéticas, principalmente durante o jejum do Ramadã.

Uso da mídia social e novas tecnologias para conscientização da obesidade

Com o crescente aumento do número de pessoas obesas, praticamente todos os países vêm promovendo iniciativas para aumentar o consumo de frutas e vegetais, como ocorreu no Chile, na Estônia, Alemanha, México, Nova Zelândia e Espanha, utilizando a ideia da Austrália, a "2 + 5", ou seja, 2 frutas e 5 porções de vegetais por dia.

Em outros países, o mesmo tipo de campanha leva outros nomes, tendo o mesmo objetivo: fazer com que as pessoas possam utilizar mais vegetais e frutas na alimentação, reduzindo a quantidade de carnes e gorduras. Nessas campanhas, são utilizados os mais diversos canais de mídia, principalmente as redes sociais.

Confira o quadro abaixo para saber como alguns países estão utilizando as redes sociais e as novas tecnologias para conscientizar as pessoas sobre a obesidade:

Uso de redes sociais e novas tecnologias para combate à obesidade
França Desde 2001, na França, está em andamento a campanha "Eat Move", que espalha mensagens através dos meios de comunicação e das redes sociais, com vídeos informativos, publicidade na grande mídia e ainda se utiliza de um site dedicado.
Austrália Além da campanha "2 + 5", já citada anteriormente, a Austrália vem encorajando as pessoas a adotar uma alimentação saudável e a praticar atividades físicas com o apoio de recursos gratuitos, como, por exemplo, receitas saudáveis e planejamento de atividades através de aplicativos.
Irlanda A Irlanda utilizou um tema mais direto, "Vamos assumir a obesidade infantil", oferecendo soluções práticas, como um planejador de refeições e dicas de alimentação saudáveis para que os pais possam combater os hábitos nocivos de alimentação associados ao excesso de peso na infância.
México O México, desde 2013, vem trabalhando uma campanha de mídia de massa para reduzir o consumo de alimentos com alto teor de calorias, utilizando todos os meios de comunicação, como a TV, a internet, o rádio, outdoors e propaganda no transporte público, além de comerciais em cinemas.
Estados Unidos e Canadá Nos Estados Unidos, especificamente em Nova York, as mensagens para desencorajar o consumo de bebidas açucaradas são transmitidas em inglês e espanhol. Seguindo o mesmo princípio, o Canadá lançou campanhas em 2016.

Hoje, praticamente todos os países onde a obesidade vem se apresentando em níveis mais alarmantes, estão promovendo o maior consumo de frutas e vegetais, sendo que, nos últimos anos, as campanhas de promoção de saúde estão sendo cada vez mais implementas através das redes sociais, principalmente o Facebook e o Twitter.

Tendências futuras da obesidade

O que se percebe com os níveis de obesidade e de sobrepeso nos últimos anos é que as taxas devem aumentar ainda mais até 2030, principalmente em países como a Coréia e a Suíça, devendo alcançar crescimento ainda mais rápido do que nos últimos anos.

Um fator importante observado nos estudos relacionados à obesidade é que as mulheres apresentam maior tendência a desenvolver excesso de peso. Em pelo menos metade dos países estudados, o que se observa é a tendência de aumento de peso entre pessoas sem nível superior de educação.<

Fontes: