Tratamentos para deixar de fumar

O tabagismo é a principal causa de morte evitável nos países desenvolvidos, diminuindo significativamente a qualidade de vida do fumador mas também daqueles que o rodeiam. Por isso, muitas pessoas sentem a necessidade de abandonar este vício, o que se torna especialmente difícil quanto maior for o historial de tabagismo e quando o convívio com outros fumadores é frequente. Todos estes fatores motivam a procura de ajuda, que deverá ser preferencialmente concedida por um médico especializado em cessação tabágica.

Numa primeira abordagem, o clínico avaliará o estado de saúde do fumador e discutirá com ele um plano terapêutico realista e adequado às suas necessidades individuais. A elaboração deste plano de ação terá em conta o grau de dependência, o estilo de vida, o ambiente familiar e laboral e eventuais doenças que o fumador possa apresentar, de forma a maximizar o sucesso do tratamento e reduzir o impacto que este possa ter na sua saúde física e mental. Por norma, nos casos em que o consumo diário de cigarros ultrapassa as 10 unidades, e quando não há contraindicações, poderá ser necessário recorrer ao auxílio de medicamentos.

Esta abordagem tem à disposição um leque variado de fármacos, cuja prescrição será também personalizada.

Terapia de substituição da nicotina

É o tratamento de primeira linha para a cessação tabágica e tem por base a substituição parcial da nicotina previamente obtida do tabaco, o que facilita a desabituação. Com esta abordagem os sintomas de privação são reduzidos, o que reduz drasticamente também o risco de recaída.

A substituição da nicotina pode ser feita com recurso a diferentes formulações farmacêuticas, sendo que em Portugal estão disponíveis gomas para mascar, pastilhas de chupar e sistemas transdérmicos. Todas estas alternativas são eficazes, mas a diferente velocidade de atuação de cada uma delas permite a sua adequação a cada doente, tendo em conta o seu comportamento em abstinência e a sua experiência anterior ao tentar deixar de fumar, caso a tenha.

Também a dosagem terá que ser ajustada ao grau de dependência de cada fumador, e ao longo de todo o tratamento.

Estes medicamentos estão contraindicados no caso de ocorrência recente de enfarte agudo do miocárdio, arritmia cardíaca, e outras doenças cardiovasculares; mas também durante a gravidez ou amamentação.

Para além disso, o fumador deverá ser aconselhado a não fumar aquando da toma destes fármacos.

Bupropiona

É também um fármaco de primeira linha no tratamento da cessação tabágica por atuar no sistema nervoso central por aumento de neurotransmissores associados ao prazer e bem estar. Desta forma são reduzidos a vontade de fumar e os vários sintomas de abstinência, entre os quais o aumento de peso, que é muito frequente nesta situação. Poderá ser especialmente vantajoso em doentes que sofram de determinadas perturbações do foro psiquiátrico, bem como em alguns casos de doença cardiovascular ou DPOC (doença pulmonar obstrutiva crónica).

Este medicamento poderá provocar reações adversas, das quais de destacam a insónia e a secura da boca. Com menos frequência poderão ocorrer episódios convulsivos, e por isso este fármaco deverá ser evitado em pacientes que sofram de anorexia ou bulimia, toxicodependência, alcoolismo ou que tomem antidiabéticos hipoglicemiantes.

Vareniclina

Este fármaco foi introduzido em Portugal apenas em 2007, o que limita o seu conhecimento, porém é considerado o tratamento mais eficaz. Atua diminuindo a sensação de satisfação associada ao fumo e reduzindo a urgência de fumar, bem como os sintomas de abstinência.

Os efeitos secundários da vareniclina são limitados e tendem a desaparecer ao longo da terapia, podendo caracterizar-se pelo aparecimento náuseas, insónia ou cefaleia.

Nortriptilina

Este antidepressivo é utilizado como tratamento de segunda linha, devido à quantidade e gravidade dos efeitos secundários que a ele estão associados.

Poderá provocar sedação, secura da boca, visão turva, obstipação, entre outros.

Clonidina

É também usada no tratamento da hipertensão e na redução da síndrome de abstinência de outras substâncias, como os opiáceos ou o álcool. No caso específico da cessação tabágica, este fármaco poderá ser útil para alguns doentes.

Para além de estar contraindicado na gravidez, este fármaco pode provocar um grande número de efeitos secundários, entre os quais sedação, hipotensão, secura da boca, e vertigens.

Combinações

Esta opção tem por objetivo tirar proveito dos benefícios particulares de cada fármaco e/ou reduzir a ocorrência de efeitos secundários através da redução das doses. Neste âmbito podem ser combinadas diferentes formas farmacêuticas da terapia de substituição da nicotina. Uma delas manterá níveis de nicotina estáveis, enquanto que a outra poderá ser usada em caso de necessidade urgente de fumar. Também se poderá combinar apenas um dos medicamentos substitutos da nicotina com a bupropiona, tendo em atenção a monitorização da tensão arterial do doente neste caso. Qualquer um dos tratamentos e a sua combinação deve ser previamente avaliada pelo seu médico, de forma a garantir uma toma segura.